quinta-feira, 22 de maio de 2014

Um pacto silencioso de sacrifício


O vídeo lançado na web pelo Dia das Mães emocionou homens e mulheres. Neste espaço precisamos ir além da emoção e indagar como é que ficam as mães que também exercem uma profissão fora de casa. Sem tempo, corridas e exauridas, é a resposta.

Revista local aqui em Belo Horizonte, por ocasião da data publicou matéria sobre jovens mães de classe alta que deixam profissões bem sucedidas para entregar-se à maternidade. A matéria deteve-se nos benefícios aos filhos e à família e aos momentos imperdíveis da maternidade, as primeiras palavras,  os primeiros passos, as primeiras letras.

Mas deixou de tocar no lado sombrio, e sempre há. Mas para que falar dele numa revista destinada à classe média e alta? Foi consultada a antropóloga e historiadora Mary del Priore, num pequeno quadrinho sobre este retorno ao lar.

É fato que é opção para poucas. Encontramos hoje no fórum colega que, como a maioria não tem esta opção, o trabalho externo é uma necessidade e conversamos novamente sobre a questão, não a particular mas a social, realizando trabalho tão especial e não remunerado como o mostrado pelo vídeo acima, sobram ônus sobre os ombros das mulheres que estão em campo, na lida, ombro a ombro com os homens, sem qualquer sistema de cotas ou horário a compensar tais ônus.

E mais, recebendo menos pelo mesmo trabalho.

Vamos nos calar? E selar um pacto silencioso de sacrifício e injustiça social?

sábado, 8 de março de 2014

Novo nome, mesma proposta


Incidentalmente no Dia Internacional da Mulher a logomarca do movimento e o próprio movimento foram repaginados e atualizados. O movimento passa a auto denominar-se Movimento Mineiro de Advogadas - MOMA, com a mesma proposta.


A turma do Bolinha, um case

Nada mais propício que o Dia Internacional da Mulher para fazer uma breve análise sociológica sobre o tema dentro da advocacia. Vamos contar uma história, um case, como se diz agora, que fala por si. 

Houve uma vez um renomado escritório na década de 90, localizado em bairro nobre, na zona de poder da capital. Daqueles escritórios que contratavam "associados", advogados empregados não celetistas, que recebiam um fixo, muito baixo, sem plano de saúde, INSS, etc.. Sequer podiam assinar as petições ao lado do  nome do dono do escritório, um doublé de advogado e empresário. Mas isso não vem ao caso. O que vem caso é a trajetória diferenciada feita pelos advogados e advogadas empregados, digo, associados, daquele escritório.

Em 20 anos, dois ou três fizeram concursos, promotoria e magistratura. Um dos advogados associados desbancou o dono do escritório levando-lhe a clientela graúda. Levou também uns quatro advogados com ele. 

Tempos depois uma das advogadas juntou-se ao novo grupo mas não ficou muito tempo.

Depois desmembraram-se, sempre em turmas de homens e formaram outro grupo.

As advogadas, voltemos o foco sobre elas. Duas associaram-se brevemente. Duas largaram a advocacia. Duas continuaram advogando sozinhas.

É apenas uma história mas fala por si.

Serviço: Bolinha, personagem de histórias em quadrinhos criado pela americana Marjorie Henderson Buell em 1935. A partir das histórias em gibis da dupla Bolinha e Luluzinha é que surgiram e ganharam força as expressões “Clube do Bolinha” e “Clube da Luluzinha”. Tudo porque Bolinha, líder de um grupo de garotos, tinha como lema a frase: “Menina não entra!”. Luluzinha e Bolinha apareceram em território brasileiro pela primeira vez nas revistas em quadrinhos publicadas pela editora O Cruzeiro em 19551.

Três pontos de vista sobre o Dia Internacional da Mulher

Temos um pronunciamento a fazer, será breve, cremos que o dia internacional da mulher é efeméride das mais chatas e desconfortáveis. Perdoem-nos os que pensam o contrário. Há três turmas distintas. Há aquela que tem certeza que nada há a comemorar. A tripla jornada? perguntam irônicas. A do meio, aquela segundo a qual a data é de reflexão e balanço da caminhada e dos avanços e do que falta. A terceira, é a festiva, para a qual a data é como um aniversário coletivo, quando se felicitam umas às outras com derramados elogios. De poderosa e guerreira para cima. Ok, se serve para aumentar a autoestima do mulherio, tudo bem.

But se somos guerreiras vivemos mesmo numa guerra, o negócio está feio para o nosso lado, e não vemos muito sentido em nos felicitarmos por este fato. Louvamos o esforço de superação com tapinhas nas costas umas das outras e beijos nas faces e deixamos de lado as causas e consequências.

"De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2007, mulheres e homens só vão alcançar a equiparação em 2100. Não só. Os dados da violência são alarmantes. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a cada cinco minutos uma mulher sofre agressão no mundo. o responsável por 70% dos atos de barbárie é gente de casa - marido, companheiro ou namorado." (EM, editorial, 8/3/14).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Alerta laranja pelo bem das mulheres e meninas do mundo todo

Durante 16 dias a cor oficial deste Blog mudará para laranja em apoio à campanha da ONU. Faça do laranja sua cor também. 

A seguir o comunicado da ONU:

Campanha da ONU convida público a ‘pintar o mundo de laranja em 16 dias’

25 de novembro de 2013 · Comunicados

Campanha da ONU convida público a 'pintar o mundo de laranja em 16 dias'



Você está convidad@ a pintar o mundo de laranja em 16 dias! Para marcar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e os 16 dias de ativismo, a campanha do secretário-geral das Nações Unidas “Una-se pelo fim da violência contra as mulheres” convida você a “pintar o mundo de laranja em 16 dias: pelo fim da violência contra as mulheres e as meninas”.
Nós convidamos você a se juntar a nós na organização nacional e local de “eventos laranja” entre 25 de novembro e 10 de dezembro, criando uma visão simbólica de um futuro brilhante e positivo, em que o mundo é livre da violência contra as mulheres e meninas.
Pinte o mundo de laranja conosco por meio de iniciativas criativas e visíveis como: projetar luzes na cor laranja em monumentos de sua cidade, organizar paradas ou desfiles laranja, “alaranjar” os eventos esportivos das escolas, amarrar fitas laranja onde quer que seja permitido, colocar balões laranja em sua sala de reuniões ou soltá-los em um evento em um parque, decorar de laranja os transportes públicos das cidades ou os centros de vilas e aldeias.
Mostre sua iniciativa a seus familiares, amigos e parceiros e convide-os a participar. Aproveite para aumentar a sensibilização e a atenção do mundo em relação à pandemia global da violência contra as mulheres e meninas e apresentar soluções para por fim a esta triste realidade.
Junte-se a nós nesta iniciativa e pinte o mundo de laranja!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Encontro de Advogados em Santa Luzia

É voz corrente neste Blog que advogados adoram eventos, gostam demais de falar, debater, etc.. A palavra falada e escrita é nosso instrumento de trabalho. Com a técnica e a sensibilidade da fotógrafa Simone Porto, aí está o registro in picture do encontro em Santa Luzia. 


Falou-se sobre a advocacia, a prática, a crise e a independência dos advogados.

E obviamente sobre a questão da mulher, com a invocação de Virgínia Woolf e de Durga, a divindidade hindu de doze braços.




Houve debate, troca de experiência e alguma divergência: afinal, quem gosta de ser Dom Quixote?



Sílvio Carvalho, Frederico Orzill (FACSAL), Valéria Veloso, Francisco Gabrich (OAB), Ana Carolina Machado (OAB)


VV, Ana Carolina Machado, OAB Mulher Santa Luzia

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Prêmio Sakharov pela Liberdade de Pensamento para Malala

Direitos Humanos


Em 10 de outubro a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, de 16 anos ganhou o prestigiado prêmio Sakharov pela Liberdade de Pensamento, oferecido pelo Parlamento Europeu, composto de 750 membros. 



Malala desde muito cedo milita pela educação das meninas. Desde os 11 anos descrevia em um blog, sob um pseudônimo, o medo que reinava no Vale do Swat (nordeste do Paquistão) e a impossibilidade de ir à escola na região controlada pelos islamitas talibãs de 2007 a 2009.


Malala comoveu o mundo ao ser vítima de um atentado. Um extremista do movimento islâmico disparou contra o rosto da garota quando retornava da escola, levando-a quase à morte. Depois de longa recuperação, prosseguiu sua luta e recebeu, além de um diploma, um cheque no valor de US$ 67 mil.

O Prêmio Sakharov pela Liberdade de Pensamento é oferecido pelo Parlamento Europeu desde 1988, em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov. Já receberam o prêmio Nelson Mandela e a ativista de Mianmar Aung San Suu Kyi.


Para Ijaz Khan, professor de relações internacionais da Universidade de Peshawar, Malala representa a luta global pela paz, pelo progresso e pela tolerância, por meio da educação das mulheres.

O prêmio será entregue em 20 de novembro em Estrasburgo.


Em 21/10 Malala lançou seu livro, «I Am Malala», no Southbank Centre, em Londres. Após seu discurso, no qual defendeu que os países em conflito devem trocar as armas por canetas e lutar apenas pela educação dos filhos, foi ovacionada de pé por parte da plateia.